Terça-feira, 23 de Dezembro de 2008

Baleal

Lenta e lentamente, o vento esculpiu a ilha,
com seu antiquíssimo cinzel sussurrante;
e o mar quebrou as rochas com a espuma,
com as marés e com o sal.
Não havia gaivota que não soubesse
onde era o mar e não havia peixe
que não soubesse onde estava o vento;
e até as casas sentiam em si este poder.
Porque de noite o mar cantava sem ser visto
e o vento dançava nas janelas para as embalar;
e porque em dias limpos se podia ver o horizonte.
Assim, as rochas choravam as ondas
e as casas chamavam a voz do vento
— e a ilha nunca permanecia no mesmo lugar.

José Maria Archer
20/xii/2008

1 Comments:

Blogger João Delicado sj said...

Bonito, sim senhor!
Obrigado.
ABRAÇO!
Deli.

Segunda-feira, Janeiro 05, 2009 6:03:00 PM  

Enviar um comentário

<< Home