Abre As Mãos
Abre as mãos e diz-me o que lá vês:
há algum som que se erga das tuas impressões digitais?
Há alguma palavra mais ou menos secreta que nasça,
apetrechada de asas, das artérias dos dedos?
Fecha as mãos e diz-me o que lá encerraste:
conquistaste ar com o suor das mãos
para que possas respirar pela última vez?
Consegues esmagar as tuas próprias artérias
para estacar o sangue das feridas
que o vento abriu?
Com que violência abres os olhos: cegas?
Cegas alguma vez com a luz que não vês?
Abre as mãos. Fecha as mãos. Abre as mãos.
Não as feches enquanto não agarrares
a tua garganta. A tua voz.
José Maria Archer
25/xi/2008
há algum som que se erga das tuas impressões digitais?
Há alguma palavra mais ou menos secreta que nasça,
apetrechada de asas, das artérias dos dedos?
Fecha as mãos e diz-me o que lá encerraste:
conquistaste ar com o suor das mãos
para que possas respirar pela última vez?
Consegues esmagar as tuas próprias artérias
para estacar o sangue das feridas
que o vento abriu?
Com que violência abres os olhos: cegas?
Cegas alguma vez com a luz que não vês?
Abre as mãos. Fecha as mãos. Abre as mãos.
Não as feches enquanto não agarrares
a tua garganta. A tua voz.
José Maria Archer
25/xi/2008


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